Enquanto alguns proprietários recebem as chaves e iniciam a mudança imediata sem notar detalhes específicos, outros se deparam com manchas de umidade ou rejuntes esfarelados logo nos primeiros dias de uso. A euforia da entrega de um imóvel novo pode mascarar falhas técnicas que, se ignoradas no curto prazo, tendem a se tornar problemas estruturais de difícil reparação. Identificar essas patologias precocemente é o caminho para garantir que a garantia da construtora seja acionada corretamente.
As áreas molhadas — como cozinhas, banheiros e lavanderias — são os pontos críticos onde os vícios costumam aparecer primeiro. O teste de estanqueidade é fundamental, mas não se resume a apenas abrir a torneira. É preciso observar se a água escoa livremente em direção aos ralos ou se existem poças que se formam nos cantos dos pisos, indicando falhas no caimento do contrapiso. Além disso, verifique a vedação ao redor das esquadrias e boxes. Pequenos vãos entre o azulejo e o acabamento podem permitir infiltrações que, com o tempo, deterioram o reboco interno da parede. Ao notar qualquer mancha escura ou bolha na pintura próxima ao rodapé, investigue se o rejunte está íntegro ou se há lacunas que permitem a passagem de umidade para o interior da alvenaria.
É comum que novas edificações passem por um processo de acomodação, mas isso não significa que todo sinal de movimento seja normal. Fissuras que surgem em ângulos de 45 graus, principalmente perto de janelas e portas, merecem atenção redobrada, pois podem indicar tensões excessivas nos componentes da estrutura ou falta de vergas e contravergas adequadas na construção. Diferente de uma microfissura superficial na pintura, que costuma ser apenas uma acomodação de acabamento, essas aberturas mais profundas sugerem que a base não está reagindo como deveria às cargas do prédio. Outro ponto de verificação são as esquadrias de alumínio ou PVC. Se as janelas apresentam resistência ao abrir e fechar, ou se ocorrem ruídos metálicos excessivos durante o manuseio, isso pode ser um indício de que o esquadro da abertura não foi executado com o rigor necessário ou que a peça foi instalada com pressão estrutural indevida.
A parte invisível da obra guarda os riscos mais silenciosos. Em imóveis recém-entregues, o funcionamento de todos os pontos de energia deve ser testado com um multímetro ou, no mínimo, através da observação do quadro de luz. Disjuntores que desarmam sem motivo aparente ou tomadas que apresentam aquecimento excessivo ao serem utilizadas com aparelhos de baixa carga são alertas claros de conexões mal executadas ou circuitos sobrecarregados. No que tange à hidráulica, a pressão da água deve ser constante em todos os pontos. Ruídos metálicos excessivos nas tubulações ao fechar torneiras ou descargas podem indicar problemas de fixação da tubulação ou falta de dispositivos que absorvam o golpe de ar. Ao identificar qualquer um desses comportamentos, anote o local exato e documente com fotos ou vídeos, pois o histórico dessas ocorrências será a base para qualquer solicitação de reparo junto à assistência técnica da construtora.